Janelas Reluzentes
Era Outono, e as folhas
secas e fúnebres caiam lentamente ao som do doce entardecer.
Resolvi sair, a fim de apreciar
o grande espetáculo que a natureza estava me dando, uma chuva de estações com
bilhões de folhas das mais robustas e salientes, até as finas e delicadas;
dançavam graciosamente no grande show da vida, ao som dos pássaros que passavam
diante de mim, quase que beijando o anil do céu. Uma multidão de seres livres e
voluteeis, apenas seguindo a brisa do alvorecer.
De uma maneira estranha
me joguei com toda a minha índole em um borrão de folhas que se aglomeravam
debaixo da minha pequena-grande cerejeira. Ao bater, vi todos àqueles
nutrientes que outrora fora parte da copa em um ato de voo livre ao meu redor,
virei-me e apreciei mais uma vez toda aquela criação e majestade, e como se
quisesse pegar algo no céu, (na verdade eu queria) estiquei toda a minha extensão
para toca-lo! Algo tão sublime e ao mesmo tempo tão devasto, e em uma tentativa
vil me peguei olhando pela ultima vez a pigmentação do céu, no horizonte, nas
linhas desenhadas a dedo por um Deus, que agora estava pondo seu luminar para
descansar, e para a alegria de muitos trazendo outro para iluminar as noites
sem fim de um dia de outono.
Levante-me e fui até o
pequeno lago que havia ali, e isso fora algo sutil, já que parecia que todas as
minhas forças se fora juntamente com a luz do dia. Agora precisava me revigorar
com a luz branca de uma noite estrelada. Arrastei-me até a borda do lago e vi ali
o reflexo de uma pessoa; não era eu! Não havia nenhum vestígio daquele menino
que foi ontem, ou que será amanha. A única coisa que pudera ver no reflexo era
a luz da lua refletindo dentro de olhos negros. Olhos esses que não havia luz
própria era apenas o reflexo de um astro dentro de um lago, dentro dos olhos.
Pois as janelas Reluzentes que tivera, agora não existe mais.
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